O Voto de Pesar n.º 440/XV, pelo falecimento de Eduardo Pitta, foi lido em plenário, em 22 de setembro de 2023, pela Deputada Edite Estrela, Vice-Presidente da Assembleia da República, tendo sido aprovado por unanimidade.
Faleceu no passado dia 25 de julho, aos 73 anos de idade, Eduardo Gama Cândido Pitta Pereira.
Nascido em Moçambique, em 1949, e onde viveria até 1975, Eduardo Pitta deixa uma marca de relevo na literatura portuguesa contemporânea como poeta, escritor e ensaísta. Publicou livros de poesia, ficção (contos e romance), ensaio, uma coletânea de crónicas, dois diários de viagem e um volume de memórias.
Os seus principais livros de poemas, de que são exemplos «Sílaba a Sílaba», «A Linguagem da Desordem», «Marcas de Água» e «Desobediência», entre outros, encontram-se traduzidos em inglês, castelhano, italiano e hebraico e a sua poesia está representada em várias antologias portuguesas contemporâneas. No conto destacam-se, entre vários, «Devastação», e a trilogia «Persona».
Em 2003, o seu ensaio «Fractura» aborda de forma inovadora o tema da homossexualidade na literatura portuguesa contemporânea. Eduardo Pitta fez da identidade homossexual matéria de criação literária, mas sem abdicar do primado da qualidade artística. O seu estilo de escrita por vezes violento e cortante, com uma ironia fina, uma visão agreste da existência, um pathos autobiográfico, deixou uma marca original na produção literária nacional.
Destaca-se, ainda, na sua obra mais recente, o seu livro de memórias, «Um Rapaz a Arder», publicado em 2013, abrangendo o período entre 1975 e 2001.
Ao longo da sua carreira, participou em encontros de escritores, seminários e festivais de poesia em Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Colômbia. Fez crítica literária nas revistas «Colóquio-Letras» (1987–2018), «LER» (1990–2006) e «Sábado» (2011–2022), bem como nos jornais «Diário de Notícias» (1996–1998) e «Público» (2005–2011). Entre 1994 e 2006 assinou na revista «LER» a secção de crítica de poesia, publicando, entre 2008 e 2014, crónicas na coluna Heterodoxias. Foi ainda o responsável pela edição da poesia completa de António Botto.
Em 2010 casou com Jorge Neves, seu companheiro desde 1972, tendo sido uma das figuras públicas que se bateu pelo reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo, integrando o Movimento pela Igualdade.
Assim, a Assembleia da República, reunida em sessão plenária, presta a sua homenagem à memória e ao legado de um poeta que marcou indelevelmente a cultura portuguesa, manifestando o seu pesar pelo desaparecimento prematuro de Eduardo Pitta, transmitindo aos seus familiares e amigos os votos do seu sentido pesar.
Leitura do Voto de Pesar na Assembleia da República.